Pouco se fala (e se evita falar) sobre o luto, e na maioria das vezes as pessoas não sabem como lidar com o enlutado.
Na teoria o luto é um processo de adaptação comum e esperado, após o falecimento de alguém. É um período de transição, com mudanças na rotina, nos papéis da família e nas expectativas de vida. Na prática o luto é um processo intenso, triste, angustiante e responsável por muita dor nas pessoas.
A morte é, sem dúvida, um evento estressor na vida do paciente, gerador de muito sofrimento e alterações psicológicas, fisiológicas, comportamentais e até sociais onde o enlutado está inserido. As dificuldades do luto podem incapacitar e desorganizar a vida das pessoas enlutadas a ponto de não conseguirem lidar com essa tristeza. É comum receber pacientes no consultório que sofrem pela perda de algum ente querido há anos e por acharem que se tratava “somente” de luto, não procuraram ajuda. É necessário diferenciar o luto da depressão e do transtorno do luto complexo persistente.
LUTO
- Vazio e perda
- A disforia pode diminuir ao longo dos dias e semanas, aparecendo em “ondas” associadas a lembranças do falecido.
- Dor do luto pode vir acompanhada de humor positivo.
- Autoestima preservada. Em alguns casos percebe-se a autodepreciação, porém, referente a falhas associadas ao falecido.
- Pensamento de morte para se “unir” ao falecido.
DEPRESSÃO
- Humor deprimido e incapacidade de antecipar visões positivas do futuro, incluindo alegria e felicidade.
- Humor deprimido persistente e não relacionado a pensamentos ou lembranças específicas.
- Infelicidade e angústia generalizada.
- Sentimento de desvalia e aversão a si mesmo.
- Sentimento de morte para acabar com a própria vida, devido ao sentimento de desvalia.
Já o transtorno do luto complexo persistente, é diagnosticado somente 12 meses (seis meses em crianças) passados da morte de alguém com quem o enlutado tinha um relacionamento próximo. É o intervalo de tempo que discrimina o luto normal do luto persistente. A condição envolve, em geral, uma saudade persistente do falecido, que pode estar associada a intenso pesar e choros frequentes ou preocupação com o falecido. Existem importantes seis sintomas necessários para o diagnóstico. 1) Dificuldade em acentuada de aceitar que o indivíduo faleceu, 2) descrença em que o indivíduo faleceu, 3) lembranças angustiantes do falecido, 4) raiva com relação a perda, 5) avaliações ruins sobre si mesmo em relação ao falecido ou à morte e 6) evitação excessiva de lembranças da perda.
Esse transtorno apresenta sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento psicossocial, tem prevalência em mulheres e pode acontecer em qualquer idade, após o primeiro ano de vida.
O luto normal é uma resposta saudável à perda do ente querido e implica a capacidade das pessoas enlutadas de expressar essa dor e implica a capacidade saudável das pessoas enlutadas de expressar essa dor a partir do reconhecimento da perda, do reajustamento e de novos investimentos nas suas relações. Quando essas capacidades de lidar com a perda são escassas, é hora de procurar ajuda, para que o diagnóstico seja correto e a intervenção precisa.

